18/03/2015

Metades...


Um eu num inteiro vazio.
Metade de um ser num eterno processo incompleto.
A vida por entre linhas e parágrafos incessantes, intensos e constantes...
Vírgulas que calam, pausam o momento, prendem ligeiramente o ar para depois cair nas redenções das reticências que instigam uma continuidade...
Um quê de esperança num misto de surpresa e apreensão.
Versos que se desenvolvem numa página limpa, verbos que regem para uma concordância perfeita, orações que coordenam e subordinam aos deleites da compreensão...
Todos se completam numa rima d'um soneto impecável, mas - como tudo que pode ser criado - tende a um ponto final.
Metade de mim é puramente literário...
a outra metade, inexisto.
 (J.A. Lins)