15/02/2013

Sentir




Faz-me sentir o que eu quero e que a razão não me deixa. 
Faz-me sentir livre sem que a consciência - em mim- pese.
Faz-me ter coragem de encarar meu eu... Um eu que tanto temo. 
Faz-me saber ficar com o nada e ter a sensação de estar completa de tudo. 
Faz-me sentir o gosto do desejo... O desejo suave que ao mesmo tempo é fatal... Aquele que intimida deliciosamente, que prende sem que eu quisesse fugir.
Faz-me sentir o arrepio que em mim toma conta... Que acaba com minha estrutura, que tritura com meu juízo e parte o cano com todas as minhas vontades. 
Faz-me sentir o calor que ferve em mim... Que lateja... Que me faz pegar fogo e soprar fumaça.
Deixa o que sinto escorrer pelos meus dedos, da mesma forma que esse meu olhar procura o teu.
Faz-me pecar, nem que seja em pensamento. Um pecado íntimo e ameaçador que explode em sintonia e me impulsiona, me avexa a matar minha vontade no tempo certo. 
Faz-me saciar nesse teu gosto insaciável, desfrutando de um sentimento tão profano e ao mesmo tempo tão nobre, que excita todos os meus sentidos.

Faz-me mergulhar nos teus desejos e a eles me dar... Decifrando-te a cada momento, e deixa minhas mãos te dizerem isso em cada parte do teu corpo.

“A única coisa que nunca plantei no quintal da minha alma foi razão.”


J.A.Lins

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