08/03/2016

Desabafo


Não sou a heroína que você deseja ou merece ter. 
Não sou aquela mãe supimpa dos desenhos animados que todos adoram, que – de tão maravilhosa- nem tem cena muito longa para não fazer o povo chorar. 
Não sou Santa, não sou moderna, não entendo muito, não sei tudo e nem tenho recursos suficiente para te dar um terço do mundo… 
Desculpe, mas sou apenas humana. 
Tenho meus medos que se entrelaçam nos erros que são infinitos. Erros esses que não quero que os cometa, porque a dor pra corrigi-los é tamanha e o peso de carregá-los é maior ainda. Medos esses que endurece o peito e congela alma… Fazendo o coração, às vezes, ser frio ao sentimento. 
Sou humana. Nem das piores, nem das perfeitas…
Sou aquela humana que apanhou tanto que, ao ver minhas cicatrizes, tento te proteger dos golpes duros da vida, mesmo que isso às vezes machuque ou irrite. 
Aquela que vê lá na frente e aconselha a não seguir esse caminho, mesmo que ache isso autoritarismo e não ligue. Aquela que chora escondido por achar que todo esforço está sendo em vão e que muitas vezes utiliza da dureza para que não desvie pro caminho incerto.
Aquela que se nega a baixar a guarda,a se relaxar e te sentir num abraço com receio que as investidas desse mundo de pedras, dores, preconceitos e julgamentos escapem dos meus ombros e caiam sobre você, como caiu – e ainda cai – em mim várias vezes…
Viver dói. Mas o que posso fazer?

Sou apenas uma mãe. 
Nem das melhores, nem das piores, nem aquela “ideal” que tanto queria que fosse… . 
Sou apenas…humana.
(J.A Lins)